top of page

Ep. 01: Apresentando Curtas Paraibanos - Review ILHA

  • Foto do escritor: Marcele Saraiva
    Marcele Saraiva
  • há 2 dias
  • 2 min de leitura

Atualizado: há 2 dias


Andrei Oliveira / Primeiro Frame


Lançado em 2014 e detentor do título de filme paraibano mais premiado da história com 107 prêmios, ILHA, de Ismael Moura, conta a história de Seu Antônio, que vive isolado em uma casa velha junto com seu filho, um rapaz que sofre de um distúrbio mental e é obrigado a viver em cativeiro em um quarto escuro cercado com água. A vida dos dois vive em frequente conflito de um homem sofrido e esquecido pela sociedade com seu filho com uma doença perturbadora. Apesar do passar dos anos e o tema sensível, ILHA envelhece como um bom vinho.


A história mergulha em uma narrativa inquieta sobre abandono e negligência. A obra propõe um olhar desconfortável e aposta em atmosferas e tensões que colocam o espectador em estado constante de inquietação. A partir disso, o filme desenvolve a dualidade de Seu Antônio, abandonado e sem formas de pedir ajuda, e seu filho, negligenciado pela única forma de apoio. 


Um dos pontos mais marcantes de ILHA é a forma como o curta-metragem abraça o silêncio. O filme não possui uma narrativa tradicional e funciona muito bem como uma experiência. Tudo é contato sem diálogos ou com poucas falas, destacando-se o grito “CHEGA” de Seu Antônio. Tudo é contado pelas ações e criado a partir do que se é observado e de sons feitos pelo filho que, apesar de não ter palavras, expressam tudo.


O ritmo do filme é perfeito para a história que conta. Fica claro que Seu Antônio vive aquilo durante toda a sua vida, e que o filho dele também vem sofrendo as consequências disso durante toda a sua vida. A fotografia conta que, apesar das cores quentes, o amarelo e o laranja não remetem alegria e sim agonia.


Assistir ILHA é uma experiência intensa. Você torce para alguém aparecer e ajudar os dois, mas sabe que isso não vai acontecer em nenhum momento. O filme não se preocupa em deixar o telespectador desconfortável, os sons e ruídos geram aflição e a desesperança que a história passa. 


No fim, ILHA se destaca menos pelo que conta e mais pela forma como se impõe ao espectador. O filme de Ismael Moura propõe uma experiência que exige atenção e entrega, que continua reverberando mesmo depois do final.



Assista ao curta-metragem Ilha no YouTube (Clique aqui)

Comentários


bottom of page